Google TPU v5/v6
Aceleradores customizados da Google. Trillium (v6, 2024) treina Gemini.
O quê
As TPUs (Tensor Processing Units) são aceleradores de IA customizados que o Google projeta internamente desde 2015. As gerações v5 (2023) e v6 “Trillium” (2024) são as que treinam e servem a família Gemini, fazendo do Google a única hyperscaler verticalmente integrada: ela desenha o chip, treina o modelo e entrega o produto na mesma casa.
Há duas linhas na v5: v5e (eficiência/custo) e v5p (performance), esta com pods de 8.960 chips e 459 TFLOPs BF16 por chip, 95 GB de HBM. A v6e (Trillium), em disponibilidade geral no fim de 2024, traz 256 chips por pod, ~4,7× o pico de compute por chip sobre a geração anterior, e foi usada para treinar o Gemini 2.0.
Em Magik LLM Gathering, a TPU é tratada como hardware · companion — o caminho alternativo à hegemonia NVIDIA.
Como funciona
Matriz sistólica e BF16
O coração da TPU é a matriz sistólica: um grid de unidades de multiplicação-acumulação que faz multiplicação de matrizes de forma extremamente densa, com pouca lógica de controle. A precisão de trabalho histórica é bfloat16 (inventada pelo Google justamente para treino estável), e gerações recentes adicionaram FP8/Int8.
Pod e topologia de interconexão
Como na NVIDIA H100, o que importa é a malha. As TPUs se conectam por uma rede óptica reconfigurável (ICI) em topologias de toro 2D/3D, permitindo slices de centenas a milhares de chips agindo como um acelerador único. O pod v5p de 8.960 chips e a malha Jupiter (que liga 100.000+ chips Trillium) são o que viabiliza treinar modelos do porte do Gemini.
Co-design com o software
A vantagem real da integração vertical é o co-design: o compilador XLA e os frameworks JAX/TensorFlow são afinados ao silício. Isso rende eficiência de escala (próxima de linear em milhares de chips), mas tem um custo: lock-in. Migrar de CUDA para TPU exige reescrever pipelines, e fora do Google Cloud as TPUs não existem.
Por que importa
Quebra o monopólio de fato. Enquanto quase toda a indústria depende da NVIDIA, o Google treina fronteira em hardware próprio — uma vantagem estrutural de custo e de fornecimento que poucos têm.
Prova que ASICs de IA funcionam em escala. O sucesso das TPUs é o argumento empírico por trás da onda de silício custom (Amazon Trainium/Inferentia, Microsoft Maia, Meta MTIA): se o Google consegue, vale a pena tentar.
É história de aposta longa. O paper de 2017 (Jouppi et al.) mostrava a TPU v1 servindo inferência interna; uma década depois, ela treina o modelo carro-chefe da empresa. Poucos projetos de hardware de IA tiveram fôlego comparável.
Estado em 2026
- Trillium (v6e) em produção treinando e servindo Gemini, ofertada também a clientes de Google Cloud.
- Geração de inferência dedicada. O Google anunciou TPUs focadas em inferência de modelos de raciocínio, refletindo a mesma mudança de eixo (treino → inferência) que move a NVIDIA B100/B200 Blackwell.
- Lock-in segue como trade-off central. Quem entra no ecossistema TPU ganha eficiência e perde portabilidade.
- Disponibilidade só via Google Cloud — diferente da NVIDIA H100, que se aluga em dezenas de provedores.
Tratamento de carta — proposta
TPU Trillium Pod Site (infraestrutura) · Citadel
Toque: gere 2 ⚡⚡. Enquanto você controla este Site, seus Modelos da facção Citadel custam 1 a menos — mas Modelos de outras facções não podem usar esta energia.
“O chip, o modelo e o produto saídos da mesma forja.”
A mecânica encena integração vertical (sinergia interna forte) e lock-in (a energia não serve a quem está fora do ecossistema).
Veja também
NVIDIA H100 · NVIDIA B100/B200 Blackwell · Groq / Cerebras (Inference) · Scaling Laws (Chinchilla)
Feito pela Magik LLM Gathering
Isto que você acabou de ler é o nosso trabalho.
A Magik LLM Gathering constrói produtos de IA de verdade — e escreve sobre eles em português, sem hype. Se quiser conversar sobre o seu, deixe seu contato.
Recebido. Vamos te escrever em breve.
- Google Cloud (2023). TPU v5p / v5e documentation. cloud.google.com/tpu/docs.
- Google Cloud (2024). Trillium (TPU v6e) is GA. cloud.google.com/blog.
- Jouppi, N. et al. (2017). In-Datacenter Performance Analysis of a Tensor Processing Unit. ISCA 2017.
